quinta-feira, 12 de abril de 2012

Dicionário da Capoeira




Obs: Arquivo  scaniado de uma apostila antiga , se algum membro quiser redigir fique a vontade, abraços a todos fiquem com Deus
Atenciosamente Professor Golfinho.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Instrumentos de Capoeira

                         



BERIMBAU
É difícil precisar a época em que o Berimbau passou a ser indispensável à roda de Capoeira. Até o século XIX, jogava-se apenas ao som dos atabaques.

Em publicação de 1834, Jean-Baptiste Debret diz que o Berimbau era tocado por ambulantes para atrair a atenção de fregueses. Para o Etnomusicólogo Tiago de Oliveira Pinto, o Berimbau é um instrumento de origem Africana que foi incorporado ao jogo da Capoeira com sucesso.

Conta Mestre Pastinha que o Berimbau também era usado como arma. Os Capoeiras colocavam uma faca na ponta do instrumento e atacavam os policiais que os perseguiam. Nesses momentos, o Berimbau transformava-se em foice de mão.

Existem três tipos de Berimbau: Viola(agudo), Médio(solo), Berra-boi(grave), determinados pelo tamanho da cabaça.

As partes de um berimbau são:


  • CAXIXI - Pequena cesta de palha, com fundo de couro, usada como chocalho. Tem de 10 a 15 centímetros de altura, cerca de 6 centímetros de diamêtro na base(essas medidas variam) e um recheio de sementes ou pedrinhas.
  • DOBRÃO - Tomado da moeda de 40 réis, é uma peça de cobre com aproximadamente 5 centímetros de diâmetro. No entanto, utiliza-se também pedra-sabão ao invés do dobrão.
  • BAQUETA - Ou Vaqueta, é uma vara de madeira com cerca de 40 centímetros de comprimento, sendo fina ou grossa.
  • CABAÇA - Caixa de ressonância. Feita com o fruto da Cabaceira, árvore comum no Norte e no Nordeste, pode ser oval(coité) ou pode ser formada por duas partes, quase que arredondadas ou interligadas. Depois de seca e cortada, tiram-se as sementes antes de ser lixada.
  • CORDA - Já foi um cipó, um fio de latão, um arame de cerca e mais recentemente, fios de aço retirados de pneus. O mais comum, é usar o aço vendido em carretéis.

PANDEIRO
Para alguns estudiosos, o pandeiro é um dos instrumentos Africanos vindos para o Brasil. Mas sua origem pode estar entre os hindus, uma vez que o pandeiro é um dos mais antigos instrumentos musicais da "Velha Índia".

ATABAQUE

Termo de origem Árabe, o Atabaque já era usado na poética medieval e era um dos instrumentos preferidos dos reis que o utilizavam em festas e nos conjuntos musicais. O atabaque foi muito difundido na África, mas, segundo Waldeloir do Rego, foi trazido para o Brasil por "mãos Portuguesas".

É geralmente feito de madeira de lei como o Jacarandá, Cedro ou Mogno cortada em ripas largas e presas umas às outras com arcos de ferro de diferentes diâmetros que, de baixo para cima dão ao instrumento uma forma cônico-cilíndrica, na parte superior, a mais larga, são colocadas "travas" que prendem um pedaço de couro de boi bem curtido e muito bem esticado.

RECO-RECO

Um instrumento utilizado na Capoeira Angola. Reco-reco antigamente não é como os de hoje, era feito com o fruto da Cabaceira, das que fossem cumpridas, então era serrado, na superfície, fazendo-se vários cortes, não muito profundos, um do lado do outro, onde era esfregado a baqueta. Hoje são feitos de gomos de Bambu ou de madeira.

AGOGÔ

Instrumento de origem Africana composto de um pequeno arco, uma alça de metal com um "cone" metálico em cada uma das pontas, estes são de tamanhos diferentes, portanto produzindo sons distintos.

GANZA
Instrumento musical de percussão utilizado no samba e outros ritmos Brasileiros. O ganzá é classificado como um idiofone executado por agitação. É um tipo de chocalho, geralmente feito de um tubo de metal ou plástico em formato cilíndrico, preenchido com areia ou grãos de cereais. O comprimento do tubo pode variar de quinze até mais de 50 centímetros. Os tubos podem ser duplos ou até triplos.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Besouro Mangangá

 

 
Besouro Mangangá era filho de Maria José e João Matos Pereira, nascido em 1895 segundo o documento relativo à sua expulsão ou em 1900 para o documento relativo à sua morte, era natural do recôncavo baiano e viveu naquela região em um período que suas principais cidades: Santo Amaro, São Félix e Cachoeira tinham importante papel no cenário produtivo como polos de intermediação das mercadorias que iam e chegavam do sertão baiano. Manoel Henrique que, desde cedo, aprendeu os segredos da capoeira com o Mestre Alípio foi batizado como Besouro Magangá por causa crença, de muitos que diziam que quando ele entrava em alguma embrulhada e o número de inimigos era grande demais, sendo impossível vencê-los, então ele se transformava em besouro e saía voando. Várias lendas surgiram em torno de Besouro para justificar de seus feitos, a principal atribui-lhe o “corpo fechado” e que balas e punhais não podiam feri-lo. Devido aos seus supostos poderes Besouro Mangangá tornou-se um personagem mitológico para os praticantes da capoeira, tendo sua identidade relacionada aos valentões, capadócios, bambas e malandros. Especula-se que não gostava da polícia e que teria praticado de vários confrontos com as força policiais, às vezes levando vantagem nos embates, porém, segundo Antonio Liberac Cardoso Simões Pires: “Suas práticas não podem ser associadas ao banditismo, pois Besouro sempre se caracterizou como um trabalhador por toda sua vida, nunca sendo preso por roubo, furto ou atividade criminal comum. Suas prisões foram relacionadas às ações contra a polícia, principalmente no período em que esteve no exército”. Algumas documentações históricas registram os confrontos entre Besouro Mangangá e a polícia, como o ocorrido em 1918, no qual Besouro teria se dirigido a uma delegacia policial no bairro de São Caetano, em Salvador, para recuperar um berimbau que pertencia ao seu grupo. Com a recusa do agente em devolver o objeto apreendido, Besouro partiu para o ataque com ajuda de alguns companheiros. Eles não coseguiram recuperar o berimbau desejado, pois foram vencidos pelos policiais, ao quais receberam ajuda de um grupo de moradores locais:
Aos dez dias de setembro de mil novecentos e dezoito,
nesta capital do estado da Bahia (...) Argeu Cláudio de Souza,
com vinte e três anos de idade, solteiro, natural deste estado,
praça do primeiro batalhão da brigada policial (...)
foi interrogado pelo doutor delegado que lhe perguntou o seguinte:
como foi feita a agressão de que foi vítima no posto policial
de São Caetano? (...) Ali apareceu um indivíduo mal trajado,
e encostando-se a janela central do referido posto,
durante uns cinco minutos, em atitude de quem observava alguma coisa,
que decorrido este tempo, o dito indivíduo interpelando o respondente,
pediu-lhe um berimbau que se achava exposto juntamente com armas apreendidas...
Estilo de Luta
A capoeira praticada no recôncavo baiano no final do século XIX e início do século XX apresentava aspectos próprios, tinha em seus traços lúdicos a inserção de instrumentos de cordas - possivelmente houve a mescla entre a prática do samba e da capoeira - e nos treinamentos de luta envolvia técnicas em torno do uso de armas como a faca e a navalha; o chapéu era um importante elemento na defesa das investidas de mão armada. Os praticantes de capoeira desse período desenvolveram uma técnica de ataque com faca e navalha que consistia no fato do lutador amarrar sua arma e um elástico e treinar o ato de lançar a arma, ferir o adversário e retornar a mão novamente.
Morte de Besouro
As circunstâncias de sua morte são contraditórias. Há versões que afirmam que Besouro morreu em um confronto com a polícia; outras, que foi traído, com um ataque de faca pelas costas. Esta última é muito cantada e transmitida oralmente na capoeira. Um fazendeiro, conhecido por Dr. Zeca, após seu filho Memeu ter apanhado de Besouro, armou uma cilada, mandando-o entregar um bilhete a um amigo que administrava a fazenda Maracangalha. Tal bilhete pedia para que seu portador fosse morto. Besouro, analfabeto, não pôde ler que aquele bilhete era endereçado ao seu assassino e que esclarecia que o portador era a vítima, ou seja, ele próprio. Assim, no dia seguinte, ao voltar para saber a resposta, quarenta soldados o estavam esperando. Um homem conhecido por Eusébio de Quibaca acertou-lhe nas costas com uma faca de tucum (ou ticum), um tipo de madeira, tida como a única arma capaz de matar um homem de corpo fechado. O atestado de óbito relata da seguinte forma:
Manoel Henrique, mulato escuro, solteiro, 24 anos, natural de Urupy,
residente na Usina Maracangalha, profissão vaqueiro, entrou no dia 8
de julho de 1924 às 10 e meia horas do dia, falecendo às sete horas da noite,
de um ferimento perfuro-inciso do abdômen